Maurício Rands
Por que sou candidato
Desde muito jovem compreendi que não basta se indignar contra as injustiças. Que é preciso combinar a teoria com a práxis. Por isso, participei do movimento estudantil combatendo a ditadura militar. Tornei-me advogado dos sindicatos de trabalhadores para combinar a profissão com os ideais de justiça. Fui vice-presidente e conselheiro federal da OAB. Fiz um doutorado na Universidade de Oxford e exerci o magistério nas Faculdades de Direito da UFPE e da Unicap. Exerci três mandatos de deputado federal, tendo sido presidente da Comissão de Constituição de Justiça e líder do partido do presidente Lula. Fui também secretário jurídico do Recife e secretário de governo de Pernambuco. Cheguei a ocupar o cargo de Secretário de Acesso a Direitos na OEA, em Washington. Em todas essas atividades, reforcei a convicção de que é possível praticar a política por vocação. Com ética e idealismo.
Mas a política parece que não para de afundar. Hoje os que a fazem estão imersos numa bolha de interesses próprios. Distantes das pessoas comuns. Proliferam os corruptos e enganadores. Muitos se vendendo como se fossem outsiders antissistema, quando suas ideias e práticas só reforçam um sistema excludente e corrupto. Outros vendem ilusões de um paraíso que em verdade é inalcançável. Cheios de certeza com suas velhas ideias que não deram certo.
O espírito do tempo é muito negativo. Todos os dias acordamos para receber notícias de corrupção, violência das facções, feminicídios e ineficiência das instituições. Porque não queremos nem devemos nos resignar, Patrícia, eu e muitos amigos e amigas, resolvemos voltar a participar mais diretamente da política. Pensamos que estamos no limiar de uma nova era. Nossa geração redemocratizou o Brasil, debelou a inflação crônica e institucionalizou políticas sociais de redução da pobreza e da desigualdade. Mas ainda não conseguiu entregar às novas gerações um Brasil desenvolvido e justo, com segurança, educação e saúde de qualidade para todos. Por isso, ainda temos a obrigação de participar e facilitar a transição para uma nova era. Precisamos ajudar a cementar um pacto intergeracional para que o futuro seja construído a partir da experiência que acumulamos nessas últimas décadas. Com nossos acertos e erros. Como fazem os orientais, que misturam o respeito ao saber das pessoas maduras com a energia e inventividade dos mais jovens.
Para combater esse espírito negativo do tempo em que vivemos, vamos precisar juntar experiências diversas. Com tolerância e espírito público. Pensando fora da caixa. O atual é o Congresso Nacional de pior qualidade de que temos notícia. Para melhorá-lo, precisamos inventar candidaturas e novos modos de fazer política. Combinando a ação fora da política com a que se faz por dentro das próprias instituições da política. Nosso sistema político é disfuncional a uma democracia que promova o desenvolvimento. As oligarquias partidárias, muitas vezes familiares, capturaram os instrumentos para a ação política independente. Os partidos não têm democracia interna. O Parlamento decide de costas para os anseios do povo. Captura o orçamento com emendas secretas. Promove manobras para proteger organizações criminosas como a do Banco Mater. Vota projetos para blindar bandidos, inclusive seus próprios líderes partidários. Anistia golpistas condenados pela corte suprema. Perpetua privilégios e não enfrenta os grandes problemas nacionais.
Nesse quadro desanimador, todavia, começamos a perceber que em todos os estados estão surgindo candidaturas ao parlamento que expressam uma tomada de atitude de quem não aceita esse quadro. De quem não deseja que a omissão dos honestos permita que prevaleçam os desonestos. Esforços plurais de visões políticas diversas. Minha nova candidatura a deputado federal se insere nesse esforço. Creio poder contribuir com a minha experiência no Parlamento, na sociedade civil e na academia. Essas décadas de militância pelas boas causas consolidaram a convicção de que podemos construir consensos parciais progressivos. Podemos juntar pessoas de posições políticas diferentes que possam se entender sobre propostas concretas para que ricos e pobres estudem numa escola com a mesma qualidade. Ou para que a mão do estado seja mais forte e mais eficiente no combate à violência do crime organizado. Ou para que as instituições estatais promovam um ambiente favorável ao empreendedorismo e aos investimentos que superem os voos de galinha que limitam o nosso crescimento. Ou para promover uma cultura de tolerância que supere os preconceitos de gênero ou etnia ou orientação sexual. Ou para combater de verdade a corrupção, começando pela dos políticos e demais agentes públicos. Ou para melhorar a qualidade dos serviços de saúde e transporte. Ou para que as redes sociais não continuem a exercer o extraordinário poder descontrolado que semeia a desinformação, o ódio, a mentira e o preconceito. Ou para desenvolver uma consciência ambiental que melhore a nossa qualidade de vida. Ou para combater o atual ecossistema global extremista de ultradireita.
Sim, acredito que, a partir de uma cadeira na Câmara dos Deputados, posso ajudar a articular pessoas e instituições comprometidos com avanços nessas áreas. Para isso, podemos construir essas redes de consensos pontuais. Apresento-me com esses compromissos, construídos em décadas de militância política e profissional. Convido os que ainda sonham com um Brasil mais justo e desenvolvido a se somarem a esse esforço. Uma luta contra esse sistema que tem gerado tanta iniquidade e infelicidade.
Sempre fui inconformado com o status quo. No fundo, sempre fui um outsider da velha política convencional. Mesmo tentando mudar o sistema e a política por dentro. A outra opção, a insurrecional, acaba por gerar burocracias opressoras. E sabemos que o ambiente de liberdade é essencial para qualquer pretensão de mudança social. Volto para reforçar bandeiras que empunhei a vida inteira. Para combater um sistema que gera injustiças, discriminações, destruição do ambiente, corrupção e que incentiva os piores valores do egoísmo, individualismo, consumismo, insensibilidade diante do sofrimento alheio, e nacionalismos que pregam a destruição do diferente, como fazem os autocratas do ecossistema global extremista de ultradireita de tipos como Trump, Bolsonaro e Netanyahu. Para isso, precisamos identificar os aliados para os consensos progressivos que nos permitam construir uma nova agenda. Para superarmos a calcificação das bolhas induzidas pelo manejo interessado dos algoritmos. Você que admitiu ler esse manifesto é um elo importante na construção dessa rede de cidadania ativa. Você pode viabilizar candidaturas como a minha e a de tantos outros que se lançam com esses propósitos. Podemos estar prestes a iniciar uma nova era de políticas públicas que removam os obstáculos que até hoje impedem que todos os brasileiros e brasileiras vivam uma vida digna. Nos próximos dias estaremos detalhando em nossas redes sociais essas propostas que vão nortear nossa candidatura e o mandato que esperamos conquistar.