Juliete Barreto
JULIETE BARRETO, FILHA DA TERRA
Sou Juliete Barreto, mulher preta, psicóloga, defensora dos direitos humanos, militante da luta antimanicomial e filiada ao PCdoB.
Nasci entre Conceição do Almeida e Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano. Minha história é marcada pelas vivências do interior, pelo valor do trabalho e pela força das mulheres que sustentam suas famílias com coragem e dignidade. Aos sete anos, já ajudava nas atividades da casa de farinha, aprendendo desde cedo o significado do esforço coletivo e da solidariedade.
Aos quatorze anos, cheguei à periferia de Salvador, no Calabetão. Foi nesse território que cresci, estudei, construí amizades, enfrentei desafios e descobri a potência da organização comunitária. Ainda adolescente, tornei-me uma das primeiras jovens a dialogar com o poder público para reivindicar políticas de esporte, lazer e oportunidades para crianças, adolescentes e jovens da comunidade.
Como tantas mulheres negras brasileiras, trabalhei desde cedo para ajudar no sustento da minha família. Fui babá, diarista e trabalhadora informal. Essas experiências me ensinaram sobre responsabilidade, resistência e, principalmente, sobre a realidade enfrentada diariamente por milhares de mulheres que sustentam seus lares enquanto convivem com desigualdades, violências e a ausência de direitos.
Fui a primeira pessoa da minha família a ingressar na universidade. Essa conquista representa não apenas a realização de um sonho individual, mas também a esperança coletiva de gerações que acreditaram na educação como instrumento de transformação social.
Ao longo da minha trajetória, compreendi que cuidar das pessoas exige mais do que boa vontade: exige políticas públicas comprometidas com a vida. Por isso, construí minha atuação profissional e política na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), reconhecendo esses sistemas como fundamentais para garantir proteção, dignidade e qualidade de vida ao povo brasileiro.
Como idealizadora do MobilizaPsi, contribuo para fortalecer o debate sobre saúde mental a partir das realidades vividas pela população, conectando essa pauta às questões de raça, gênero, território, trabalho e direitos humanos.
Defendo a vida das mulheres e das meninas. Acredito que nenhuma mulher deve viver sob a ameaça da violência, da desigualdade ou da negação de direitos. Defendo também o respeito a todas as formas de amor, orientações afetivo-sexuais e identidades de gênero, porque toda pessoa merece viver com liberdade, dignidade, segurança e respeito.
Tenho compromisso com a defesa da população negra, dos povos e comunidades tradicionais de terreiro e com o enfrentamento ao racismo em todas as suas formas, incluindo o racismo religioso e o racismo ambiental, que afeta principalmente as populações periféricas, negras e tradicionais.
Defendo a preservação da natureza e um modelo de desenvolvimento sustentável que coloque a vida no centro das decisões. Acredito que cuidar do meio ambiente também é cuidar das pessoas, dos territórios e das futuras gerações.
A arte e a cultura fazem parte do projeto de sociedade que defendo. São instrumentos de transformação social, fortalecimento da identidade dos territórios, geração de trabalho e renda, promoção da cidadania e fortalecimento da democracia.
Acredito no direito à cidade para todas as pessoas: o direito à moradia digna, à mobilidade urbana de qualidade, ao transporte público acessível, à educação, ao esporte, ao lazer, à cultura e aos serviços públicos. Acredito que toda pessoa tem direito ao trabalho digno, à renda e às oportunidades necessárias para construir uma vida com autonomia e dignidade.
Defendo que a inovação, a tecnologia e o desenvolvimento estejam a serviço do povo, fortalecendo pequenos empreendedores, trabalhadores, cooperativas, iniciativas comunitárias e a economia popular e solidária.
Coloco meu nome à disposição porque acredito em uma política feita com escuta, participação popular e compromisso com a vida. Uma política que enfrente as desigualdades, fortaleça a democracia e construa uma Bahia mais justa, inclusiva e acolhedora para todas as pessoas.
Eu amo cuidar. E cuidar é garantir direitos, proteger vidas e construir um futuro melhor para o povo baiano.
Juliete Barreto
Filha da Terra