Indianarae Siqueira

A atuação de Indianarae transcende o acolhimento físico, pautando políticas públicas e transformações sociais profundas. É uma das maiores expoentes da militância LGBTQIAPN+ no Brasil.
Ativista indígena e pute, sua trajetória é marcada pela construção de redes de sobrevivência e pela luta incansável pela dignidade de corpos marginalizados.
Criadore do termo "transvestigênere", propõe uma identidade política que rompe com as normas coloniais de gênero.
Fundou em 1995 o Grupo Filadélfia De Travestis e Liberados em Santos (SP) pra atuar na luta por prevenção e tratamento pras pessoas vivendo com HIV/Aids. A organização foi pioneira no Brasil ao conquistar a obrigatoriedade do nome social nos prontuários médicos para travestis e transexuais, internação em ala separada ou feminina de hospitais e também o reconhecimento de casais lgbtqiapn+ como cônjuges, na conferência de saúde de Santos em 1996 . O que foi um escândalo sem precedentes pra época.
Com isso participou ativamente pela luta do direito ao nome social sendo o paço inicial no Brasil já que depois de Santos outras cidades e estados lançaram decretos de obrigatoriedade do nome social para travestis e transexuais nos serviços públicos.
A sua ação performatica dos seios de fora pelo Rio de Janeiro e em alguns lugares do Brasil através da Marcha Das Vadias, fez que o nome social chegasse aos tribunais superiores, já que sua documentação de identidade não continha o gênero com o qual se identificava o que a liberava em andar sem camiseta na rua.
Em 2015 fundou o pré-vestibular PreparaNem, focado na inserção de transvestigeneres nas universidades através do ENEM. O projeto colocou mais de 5 alunas em universidades já no seu primeiro ano, o que colaborou com a criação da CasaNem (Primeira casa de acolhimento para pessoas LGBTQIAPN+, no Brasil).
Em 2020 em plena pandemia de covid 19 a CasaNem foi pioneira na construção da REBRACA (Rede Brasileira De Casas De Acolhimento para pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade no Brasil.
Em 2019, sua dedicação foi oficialmente reconhecida com o Prêmio à Diversidade, Direito e Respeito à Cidadania, concedido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ).
Sua vida é o alicerce da Transrevolução, um movimento que não pede permissão para existir, mas exige o direito ao afeto, à educação e à vida plena para todas as identidades trans, travestis e dissidentes de sexo/gênero.